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José de Guimarães inaugurou Programação Cultural no Auditório da Livraria Lello

O encontro marcou também o início da programação do novo Auditório da Livraria Lello

No passado dia 16 de setembro, a Livraria Lello recebeu o artista plástico José de Guimarães para uma conversa especial no âmbito da rubrica «Em Nome Próprio». O encontro marcou também o início da programação do novo Auditório da Livraria Lello e reuniu, numa sessão dedicada à arte, à literatura e às diferentes formas de olhar o mundo, Isabel de Almeida, José Augusto Cardoso Bernardes e o editor João Pinto de Sousa.

 

«Na vida, quem és tu?»

A sessão teve início com as palavras de Aurora Pedro Pinto, que apresentou o encontro e lançou o mote para uma conversa em torno da «arte maior de Camões» e do olhar singular de José de Guimarães sobre uma das grandes obras da literatura portuguesa.

A professora Isabel de Almeida trouxe à conversa uma reflexão sobre o valor de uma pergunta e sobre aquela que pode ser considerada uma das perguntas mágicas de Os Lusíadas: «Na vida, quem és tu?», presente no episódio do Adamastor. Uma questão que atravessa séculos e que, neste encontro, serviu também como ponto de partida para pensar a identidade, a criação e o olhar de um artista sobre uma obra universal.


«A problemática da simbologia que se põe nestas edições resulta de um encontro, do meu encontro, com outra cultura, a cultura africana, e cuja cultura tinha processos específicos de comunicação.»

Foi precisamente sobre esse olhar que José de Guimarães se debruçou ao apresentar o seu trabalho para a «Grande Edição Comentada e Ilustrada d’Os Lusíadas», da Editora A Bela e o Monstro. Ao longo da conversa, o artista falou sobre a importância da simbologia na sua obra, destacando a influência do seu encontro com outras culturas, nomeadamente a cultura africana: «A problemática da simbologia que se põe nestas edições resulta de um encontro, do meu encontro, com outra cultura, a cultura africana, e cuja cultura tinha processos específicos de comunicação.»

A dimensão pessoal do encontro também esteve presente através da música. José de Guimarães escolheu «Strange Fruit», de Nina Simone, interpretada ao vivo pelo artista Romain Valentino. Este momento musical reforçou a ideia de assinatura pessoal que atravessa esta rubrica e estabeleceu uma ligação entre a música escolhida pelo artista e as referências que acompanharam o seu trabalho.

"Diante do épico de Camões, eu lembrei que José de Guimarães é uma alma marcada por África e também lembrei que nenhuma felicidade se faz sem consciência da tragédia que a tolera.".

Entre os presentes esteve também o escritor Valter Hugo Mãe, que posteriormente escreveu no Jornal de Notícias: “Em redor de uma edição especial que A Bela e o Monstro publica do épico de Camões, Guimarães contou sobre uma série de fotografias e pareceu-me de uma timidez sem susto que normalmente faz grandes conversadores. (…) Diante do épico de Camões, eu lembrei que José de Guimarães é uma alma marcada por África e também lembrei que nenhuma felicidade se faz sem consciência da tragédia que a tolera.”.
O encontro contou ainda com a participação da SOGRAPE e da Leitaria da Quinta do Paço, que se associaram a esta ocasião especial