"A liberdade começa na capacidade de pensar. Mesmo antes de ser expressa, uma ideia já tem poder."
A4, de Ai Weiwei
A instalação do artista chinês integra a expansão da Livraria Lello Porto, concebida pelo arquiteto português Álvaro Siza Vieira, vencedor do Prémio Pritzker, e centra-se em A4, um novo trabalho encomendado a Ai Weiwei.
A partir da imagem de uma folha em branco, simultaneamente espaço de possibilidade e símbolo de silêncio, a peça reflete sobre os limites da expressão e o poder do pensamento.
Desde a sua fundação, em 1906, a Livraria Lello Porto vê no livro uma ferramenta de liberdade, uma convicção que ganha nova urgência num tempo de excesso de informação e fragmentação do pensamento.
Num tempo em que o acesso à informação nunca foi tão amplo, mas o pensamento se encontra frequentemente disperso, a Livraria Lello Porto propõe uma ideia simples: devolver ao livro um papel ativo na forma como pensamos, participamos e nos relacionamos com o espaço público.
Um espaço onde tudo pode ser dito e onde tudo pode ser silenciado.
Inspirada em episódios recentes onde a ausência de palavra se tornou forma de protesto, a peça materializa-se através de uma estrutura concebida por Ai Weiwei, que acolhe folhas de papel A4 produzidas a partir de fibras recicladas. Um objeto familiar transforma-se num gesto político: um espaço onde tudo pode ser dito e onde tudo pode ser silenciado.
A Livraria Lello Porto publicará, também, um livro de poemas de Ai Qing, um dos mais importantes poetas chineses do século XX e pai de Ai Weiwei. Com capa e prefácio do próprio Ai Weiwei, esta edição prolonga o projeto entre gerações, posicionando o livro como um espaço de memória, transmissão e resistência.
A instalação de Ai Weiwei marca o início de um novo capítulo para a Livraria Lello e para o Porto, reafirmando uma convicção simples: o livro continua a ser uma das formas mais poderosas de organizar o pensamento e, com ele, a própria cidade.



