Livros que recusam ser silenciados
A Livraria Lello e o Service95 Book Club, fundado por Dua Lipa, aliaram-se para criar a Manifesto Library (Biblioteca Manifesto): uma biblioteca permanente dedicada a livros que desafiam o poder, a censura, a exclusão e as narrativas dominantes. Esta é a primeira expressão física permanente da plataforma cultural que já incentivou milhares de jovens do mundo inteiro a descobrir o amor pela literatura.
Dua Lipa e Service95
Nos últimos anos, Dua Lipa tem vindo a afirmar-se como uma das vozes mais influentes na aproximação de novos públicos à literatura contemporânea. Através do Service95 Book Club, entrevistou alguns dos mais relevantes autores da atualidade — entre eles Margaret Atwood e Olga Tokarczuk.
A Livraria Lello defende, há 120 anos, que o livro é uma tecnologia de liberdade. A Biblioteca Manifesto surge dessa convicção. O que está em jogo não é apenas o futuro da leitura, mas a capacidade de conhecermos o passado, compreendermos o presente e idealizarmos o futuro.
Nas palavras de Dua Lipa:
“A Biblioteca Manifesto é uma parceria de sonho entre a Livraria Lello e o Service95 Book Club. Quando fundei o Service95 Book Club, a minha ambição era que se tornasse um lar para escritores e leitores, onde quer que estivessem e quaisquer que fossem as suas circunstâncias. Esta biblioteca é um santuário dedicado aos livros que desapareceram, aos autores cuja coragem desmascara as estruturas de poder e controlo, e aos leitores que se recusam a que lhes digam que livros podem ler. Estás convidado a visitar-nos e a decidir por ti mesmo o que deve estar nestas prateleiras.”
"Esta biblioteca é um santuário dedicado aos livros que desapareceram"
O conceito de censura parece demasiado arcaico para viver entre nós. Infelizmente, não é.
Em 2023, um número recorde de 4 240 livros foi alvo de censura em distritos escolares e bibliotecas públicas dos EUA.
Em 2024, escritores foram presos ou detidos em mais de 40 países devido ao que escreveram, publicaram ou disseram.
Em Cuba, na Venezuela e no Líbano, a legislação criminaliza os materiais considerados críticos em relação ao governo.
Numa altura em que os livros continuam a ser retirados das escolas e bibliotecas, contestados em instituições públicas ou empurrados para a invisibilidade através de formas mais subtis de pressão, a Manifesto Library procura reafirmar a literatura como um espaço de liberdade intelectual, complexidade e pensamento crítico.
Alguns dos livros incluídos foram proibidos, censurados ou contestados publicamente. Outros continuam a suscitar debate em torno da identidade, da liberdade de expressão, da raça, do género, da memória e do poder político.
O que todos têm em comum é o seu poder — a importância de não serem esquecidos. Retirar um livro de uma prateleira não é um ato inconsequente. É uma ação que define quais as perguntas que podem ser feitas, quais as histórias que permanecem visíveis e quais as vozes que continuam a ser ouvidas.
A Manifesto Library não é um arquivo da censura, mas sim uma declaração sobre o papel dos livros na sociedade.
Os Livros da Manifesto Library
A Manifesto Library vive no novo auditório cultural da Livraria Lello, e é aí que se pretende que torne um ponto focal de diálogo. A Livraria Lello defende, há 120 anos, que o livro é uma tecnologia de liberdade. A Biblioteca Manifesto surge dessa convicção. O que está em jogo não é apenas o futuro da leitura, mas a capacidade de conhecermos o passado, compreendermos o presente e idealizarmos o futuro.
Poder, Controlo, Voz e Memória
Esta Biblioteca reúne 100 títulos essenciais para compreender o mundo contemporâneo. Estes títulos estão representados através de milhares de exemplares, totalizando 5000 livros, e organizados em torno de quatro temas: Poder, Controlo, Voz e Memória.
Poder
Livros que questionam quem detém o poder e quem tem voz. Estes livros confrontam diretamente as estruturas de poder dominantes — regimes políticos, sistemas sociais ou normas culturais —, gerando frequentemente controvérsia ou resistência institucional. Não se limitam a descrever o mundo; questionam quem tem autoridade para o definir.
Controlo
Os sistemas não precisam de gritar para controlar — estes livros mostram como funcionam. Estas obras exploram os mecanismos de controlo, tanto visíveis como invisíveis, incluindo a vigilância, a propaganda, a influência tecnológica e o condicionamento ideológico. Revelam como o poder opera não só através da proibição, mas também através de formas subtis de influência e normalização.
Voz
Esta categoria dá destaque a vozes que persistem, mesmo quando postas de lado. Vozes que, ao longo da história, foram marginalizadas, excluídas ou sub-representadas. Através da literatura, estas obras reivindicam espaço, visibilidade e autoridade narrativa, abordando questões de raça, género, identidade, geografia e pertença.
Memória
Esta categoria reúne obras que preservam a memória face ao apagamento, particularmente em contextos de guerra, ditadura, exílio ou trauma coletivo. Estes livros funcionam como atos de resistência, salvaguardando histórias que, de outra forma, poderiam perder-se ou ser reescritas.