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A Fundação Livraria Lello apresenta a exposição People in Motion: uma reflexão sobre migração.
ENTRADA NA LIVRARIA LELLO

Livraria Lello é agora Livraria Lello Porto: Um Projeto Cultural da Cidade

Porto, 16 de janeiro de 2026 — Aos 120 anos, a Livraria Lello assume-se oficialmente como Livraria Lello Porto, num gesto estratégico que reforça a sua identidade como instituição cultural da cidade. O rebranding, apresentado no dia do aniversário, inclui a adoção do azul do Porto como cor identitária e marca uma mudança estrutural: a Livraria deixa de pensar apenas como livraria e passa a pensar como cidade. 

Para assinalar os 120 anos, a Livraria Lello Porto publica uma edição comemorativa de capa azul de “As Cidades Invisíveis”, em parceria com a Dom Quixote, que, no dia de aniversário, se transformou em instalação-livro: as paredes da Livraria estiveram, de alto a baixo, preenchidas de azul. E a cor não é aleatória. A adoção do azul como cor identitária reforça essa ligação profunda ao Porto. Mais do que um gesto gráfico, trata-se de um posicionamento simbólico e institucional que aproxima a Livraria das estruturas, da história e do pensamento da cidade onde nasceu, em 1906.

Se o dia prometia celebração, o primeiro-ministro não se esqueceu do presente para a Livraria. O governo de Luís Montenegro trouxe no bolso o desbloqueio de uma questão presa nos trâmites legais. Montenegro anunciou que a Livraria Lello Porto irá, finalmente, ser reconhecida oficialmente como Monumento Nacional: "Neste dia 13 de janeiro de 2026, o dia em que se marcam os 120 anos da Livraria Lello, dia em que se marcam os 25 anos da abertura oficial do Porto 2001 Capital Europeia da Cultura, um dia de referência, um dia de memória, um dia de apelo ao nosso património e à nossa identidade, quero aqui dizer-vos que o governo já tem em circulação legislativa o diploma que vai reclassificar este edifício da Livraria Lello como monumento nacional e, portanto, será definitivamente assumido em letra de lei", prometeu Luís Montenegro. 

O chefe do governo explicou que o ato irá "perpetuar a identidade, também a ligação de todo o país, de toda a comunidade, a este edifício e a este projeto", e que o mesmo deverá acontecer "nas próximas semanas". 

A cerimónia de aniversário contou com vários momentos de destaque. Uma das novidades é a de que o ícone da Livraria Lello Porto passa a integrar a malha da Câmara Municipal do Porto. Desenvolvido pelo Studio Eduardo Aires, o ícone é doado pela Livraria ao Município do Porto como gesto de compromisso com uma cidade que entende a cultura como pensamento crítico e motor de transformação. Desde esse dia que as ruas do Porto albergam centenas de mupis com o ícone da Livraria Lello Porto e a frase que marca o aniversário: “As nossas escadarias são vermelhas, o nosso coração é azul”. 

No âmbito das comemorações, os CTT – Correios de Portugal lançaram uma emissão filatélica oficial dedicada aos 120 anos da Livraria Lello Porto. Os selos destacam a figura do ferreiro, hoje integrada no logótipo da Livraria, em várias declinações gráficas desenvolvidas pelo Studio Eduardo Aires. Os selos já se encontram à venda na Livraria Lello Porto.  

Para assinalar os seus 120 anos, a Livraria Lello Porto apresenta uma instalação artística nas suas montras. Inspirada no livro que dá o mote para o ano de 2026, “As Cidades Invisíveis”, de Italo Calvino, dá destaque à transformação que a Livraria Lello Porto quer continuar a provocar no território. 

Neste livro, o imperador Kublai Kan pergunta a Marco Polo porque fala ele apenas das pedras que compõem o arco da ponte. O explorador é rápido na resposta: “sem pedras não há arco”. Essa troca de ideias serve de metáfora e propõe uma leitura simbólica da própria história da Livraria Lello Porto. 

Francisca Pedro Pinto apresenta-nos estas instalações artísticas presentes na montra: “Uma ponte, símbolo incontornável do Porto. E, como escreve Calvino, não é uma pedra isolada que sustenta a ponte, mas o arco que as pedras constroem em conjunto. Na nossa leitura, isto é essencial: sem pedras não há arco. E os nossos projetos — as nossas pedras — assentam sempre na mesma base. Por isso, na fundação da instalação está o livro. Não como ornamento, mas como estrutura. Porque acreditamos que é ele — enquanto objeto, pensamento e relação — que sustenta o arco maior da cidade que queremos ajudar a construir.” 

Um dos pontos altos da cerimónia foi o momento em que a Presidente do Conselho de Administração da Livraria Lello Porto, Aurora Pedro Pinto, refletiu sobre o percurso da Livraria: “Fundada em 1906, num país marcado por elevados níveis de analfabetismo, a Livraria Lello nasce já como um gesto radical. Construir uma casa desta beleza, desta ambição simbólica e arquitetónica, dedicada ao livro, num tempo em que grande parte da população não sabia ler, foi um ato de fé no futuro. Um gesto profundamente literário: acreditar que a palavra pode transformar uma cidade, um país, um mundo.” 

Aurora Pedro Pinto aponta que a Livraria escolheu sempre o caminho da coragem. Prova disso foi a “decisão estrutural, ousada e polémica”, em 2015, de criar um sistema de ticket-voucher, em que o valor pago pelo visitante é dedutível na totalidade em livros, “não para musealizar a livraria, mas para salvar o livro.” A responsável apresenta os resultados desse salto de fé: “Na altura, vendíamos cerca de 70 mil livros por ano. Menos de 10% dos visitantes compravam livros. Éramos oito colaboradores. [...] Hoje, os números falam por si. Em 2024, alcançámos um milhão de livros vendidos num só ano. Hoje, cerca de 70% dos visitantes levam livros. Somos quase 70 colaboradores — e até ao final do ano seremos 100.”   

Quanto ao rebranding da marca Livraria Lello Porto, a administradora deixa a Livraria falar por si e ditar o rumo para o ano que se avizinha: “Hoje, as estantes estão cobertas de azul. A escadaria é vermelha, mas o coração da casa é azul. Azul de pensamento, de profundidade, de futuro. É com esse coração que entramos em 2026. Damos um passo decisivo. A Livraria Lello Porto deixa de pensar apenas a livraria. Passa a pensar a cidade.” 

Com o bem acolher típico do Porto, Aurora Pedro Pinto deixa o convite para que todos façam parte do BABELL, na cidade do Porto, de 24 a 30 de junho de 2026: “O BABELL não é um evento. É um sistema cultural, uma visão que amplia a missão da Livraria Lello Porto à escala da cidade. [...] No BABELL, o livro torna-se moeda de acesso à vida cultural da cidade. Para assistir a um espetáculo, a um concerto, a uma performance, é necessário comprar um livro. Um livro de qualquer valor, numa qualquer livraria — nova ou alfarrabista, independente ou histórica. Este gesto é tudo menos simbólico. Significa levar milhares de jovens — muitos pela primeira vez — a entrar numa livraria, a escolher um livro, a tornar o livro um ato consciente”, explica.  

A presidente do Conselho de Administração da Livraria Lello Porto termina, retomando a metáfora de "As Cidades Invisíveis”: “Inspiramo-nos em Ítalo Calvino quando escreve que ‘sem pedras não há arco’. O BABELL é uma dessas pedras. Tal como a expansão [da Livraria assinada por] Siza. Tal como o Jardim do Pensamento. Tal como [a rua do] Loureiro. Tal como, um dia, o Sá da Bandeira.” 

É com estas boas-vindas à Livraria Lello Porto e à Cidade-Livro, que a responsável da marca Livraria Lello Porto, Francisca Pedro Pinto, toma a palavra. Explícita que o novo nome se trata de muito mais do que uma mudança de imagem: “Quando uma instituição cultural atravessa 120 anos, aprende duas coisas fundamentais: que o tempo constrói — e que, no presente, o tempo é um recurso escasso. É a partir dessa consciência que hoje apresentamos Livraria Lello Porto. Não como uma operação de imagem, mas como uma tomada de posição estratégica sobre o papel da cultura num país europeu contemporâneo”, explica apontando que a casa que nasce em 1906, no Porto, uma cidade que nunca se conformou. 

“Durante mais de um século, esse Porto esteve sempre presente nesta casa — na forma de editar, de programar, de pensar o livro como ato cultural. Mesmo quando isso não era explícito. Hoje, escolhemos dizê-lo. Assumir o nome da cidade é tornar visível o essencial. O Porto não é contexto nem cenário. É substância. E a Livraria Lello partilha esse ADN.” 

No âmbito das comemorações, foram também apresentadas as novas fardas da Livraria Lello Porto, desenhadas por Constança Entrudo, reinterpretando o imaginário da livraria num registo contemporâneo, funcional e profundamente ligado à sua arquitetura. 

Francisca Pedro Pinto revela a inspiração por trás dos detalhes incluídos na etiqueta presente nas calças: “Os padrões nascem dos painéis originais do edifício — metáforas gráficas do crescimento e da circulação do conhecimento — reinterpretados e pintados manualmente. A etiqueta recupera um episódio fundador: a lotaria ganha por Ernesto Chardron, editor e livreiro que esteve na origem desta casa. Um símbolo improvável de risco, visão e continuidade. São design funcional com identidade cultural. Quem trabalha aqui representa uma ideia de livro, de cidade e de futuro.” 


Com os 120 anos da Livraria Lello Porto, nasce o “Palavrão”, o novo podcast da Livraria Lello Porto. Conduzido por Magda Cruz, com música original de Cláudia Pascoal, o podcast convida artistas e pensadores a desconstruir os “palavrões” da sua arte, aproximando a cultura das pessoas. O primeiro episódio já está disponível em todas as plataformas e conta com a participação de Pedro Pinto, CEO do Grupo Lionesa, casa-mãe da Livraria, que vem desconstruir o palavrão “Cultura”. Na conversa, Pedro Pinto reflete sobre os desafios de resgatar a Livraria à decadência, proteger a estrutura arquitetónica e desenvolver projetos com a cidade do Porto. 

E se em Lisboa há pastéis de Belém, no Porto há bolas. O bolo de aniversário da Livraria Lello Porto surpreendeu o público que veio cantar os parabéns a esta casa centenária. As velas estavam na base de uma torre de bolas de Berlim. As bolas foram criadas pelo pasteleiro Telmo Moutinho, responsável pela padaria e pastelaria da Ogi by Euskalduna, projeto do chef Vasco Coelho Santos. Ao som dos parabéns cantados por Cláudia Pascoal, que encantou a Livraria e os seus visitantes, este momento serviu para celebrar a cultura popular como linguagem viva do Porto.